Tradutores automáticos vs. softwares de auxílio à tradução

Sobre o autor

BTS: Luiz Fernando Casanova Doin

Luiz Fernando Casanova Doin

é fundador e sócio-diretor da BTS – Business Translation Services, empresa de tradução sediada em São Paulo com mais de 15 anos de existência e mais de 5.000 clientes atendidos. Formado em Administração de Empresas pela Universidade de São Paulo (USP) e em Comunicação Social com ênfase em Marketing pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), é um apaixonado pela área de tradução e um estudioso do setor que procura aliar seus conhecimentos acadêmicos e experiência à prática tradutória.

Tradutores automáticos vs. softwares de auxílio à tradução

Uma pergunta recorrente dos nossos clientes é: vocês utilizam tradutores automáticos? Certamente eles estão pensando em ferramentas como Google Translator, Babelfish e afins – serviços gratuitos onde basta inserir o seu texto em um determinado idioma e tê-lo quase que instantaneamente traduzido para outro. Não, nós nunca utilizamos ferramentas como essa, simplesmente porque a qualidade da tradução é ruim. Infelizmente (ou felizmente para nós, empresas de tradução) não há milagre. Esses tradutores automáticos servem apenas para dar uma ideia geral do texto que está sendo traduzido, mas estão longe de fornecer traduções profissionais.

Por outro lado, utilizamos as chamadas CAT (Computer-Aided Translation) Tools (Déjà Vu, MemoQ, Trados, Wordfast,  etc.), que nada mais são do que programas que auxiliam (e muito) a tradução no computador. Ao contrário dos tradutores automáticos, esses programas não traduzem nada sozinhos. As traduções são feitas por tradutores “de carne e osso” que utilizam esses softwares como sua plataforma de tradução.

Mas se os softwares de auxílio à tradução (CAT Tools) não traduzem nada sozinhos, para que eles servem? Basicamente, para ganhar produtividade e consistência terminológica. Ao utilizar programas como esse, à medida traduzimos documentos para um determinado cliente, eles vão gerando um banco de dados com as traduções já realizadas. E, quanto mais traduzirmos, maior será esse banco de dados. Nós, as agências, chamamos essas bases de “memórias de tradução” (ou TMs – translation memories). Na verdade, são arquivos que armazenam todas as traduções realizadas, divididas em pequenos segmentos (geralmente uma frase), contendo o texto original e a respectiva tradução.

Quais a vantagens de possuirmos uma memória de tradução para um determinado cliente? Inúmeras… Vou mencionar primeiramente a vantagem financeira: o software de auxílio à tradução (CAT Tool) consulta a memória de tradução; se identificar frases idênticas ou parecidas com as que estão na base de dados, sugere uma tradução. Em resumo, o programa identifica segmentos que já foram traduzidos anteriormente e traz as traduções utilizadas automaticamente. Em textos repetitivos, o ganho de produtividade é absurdo. A agência de tradução ganha muito tempo, evita um bocado de retrabalho, e pode repassar isso ao cliente sob a forma de desconto para os textos repetidos (que chamamos de “matches”).

Acredito que a vantagem “econômica”, tanto para a Empresa de Tradução quanto para o cliente está bem clara. Mas isso não é tudo. Há a questão da consistência terminológica, que também é importantíssima. Vou dar um exemplo bem ilustrativo: trabalhamos para algumas empresas de auditoria que possuem suas próprias traduções “oficiais” para os itens do balanço patrimonial. Por exemplo, a empresa X traduz “cash and cash equivalents” como “disponibilidades”, enquanto a empresa Y teima que a tradução correta é “caixa e equivalentes de caixa”. Para nós, não há problema, uma vez que possuímos uma memória de tradução para cada cliente. Se por acaso um tradutor desavisado traduzir “cash and cash equivalents” como “disponibilidades” para a empresa Y, o software indicará que na memória consta que a tradução correta é “caixa e equivalentes de caixa”.

Em um projeto envolvendo vários tradutores, os softwares de auxílio à tradução são a única forma de assegurar que um determinado termo seja traduzido da mesma forma. Caso contrário, poderíamos ter o tradutor A utilizando “disponibilidades”, o tradutor B preferindo “caixa e equivalentes de caixa”, o tradutor C optando por “caixa e bancos” e finalmente o tradutor D achando melhor utilizar “caixa e equivalentes a caixa”. Em outras palavras, quatro tradutores, quatro traduções diferentes. Imagine consolidar essa terminologia “na raça”, sem contar com um software apropriado. Loucura, não acha?

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