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Tradução vira ”telefone sem fio”

Sobre o autor

BTS: Luiz Fernando Casanova Doin

Luiz Fernando Casanova Doin

é fundador e sócio-diretor da BTS – Business Translation Services, empresa de tradução sediada em São Paulo com mais de 15 anos de existência e mais de 5.000 clientes atendidos. Formado em Administração de Empresas pela Universidade de São Paulo (USP) e em Comunicação Social com ênfase em Marketing pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), é um apaixonado pela área de tradução e um estudioso do setor que procura aliar seus conhecimentos acadêmicos e experiência à prática tradutória.

Fala era vertida ao inglês e depois ao farsi ou vice-versa

Denise Chrispim Marin e Tânia Monteiro, BRASÍLIA – O Estadao de S.Paulo

Uma espécie de telefone sem fio foi montado pelo governo para permitir que o presidente Lula e seu colega do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, pudessem conversar por três horas, no Itamaraty, além de se fazerem entender nos discursos e na entrevista à imprensa.

A fala de Lula em português era vertida ao inglês por um intérprete e, em seguida, traduzida para o farsi, idioma oficial do Irã. As declarações de Ahmadinejad faziam o caminho contrário.

A ausência de intérpretes do farsi para o português foi a razão desse caminho tortuoso, no qual expressões se perderam ou ganharam sentido menos literal. Mesmo sob essa pequena Torre de Babel, oito documentos foram assinados – todos pouco substanciais.

A confusão mais grave surgiu na entrevista, quando Ahmadinejad mencionou a quantidade de urânio enriquecido a baixo teor que o Irã deverá enviar ao exterior, para receber em troca o combustível para um reator de Teerã, conforme acordo mediado pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). Para o português, o primeiro número foi 250 quilos, seguido por 1.250 e, depois, por 2.250. O número correto seria de 1.200 a 1.500 quilos.

Depois da confusão dos tradutores, Ahmadinejad iria para o Instituto de Educação Superior de Brasília (Iesb) para um debate com estudantes. Mas, como a Polícia Federal foi informada em cima da hora, a programação foi cancelada.

A diretora-geral do Iesb se disse contrária às polêmicas pregações do iraniano. “Os alunos têm que confrontar suas ideias com as dos outros”, disse Eda Coutinho. Ela admitiu que a visita poderia desgastar a imagem do Iesb, por abrir as portas a um líder conhecido por posições autoritárias.
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20091124/not_imp471085,0.php

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