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Tradução errada faz Hillary presentear chanceler russo com “botão de sobrecarga”

Sobre o autor

BTS: Luiz Fernando Casanova Doin

Luiz Fernando Casanova Doin

é fundador e sócio-diretor da BTS – Business Translation Services, empresa de tradução sediada em São Paulo com mais de 15 anos de existência e mais de 5.000 clientes atendidos. Formado em Administração de Empresas pela Universidade de São Paulo (USP) e em Comunicação Social com ênfase em Marketing pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), é um apaixonado pela área de tradução e um estudioso do setor que procura aliar seus conhecimentos acadêmicos e experiência à prática tradutória.

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, presenteou o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, com um “botão de reiniciar” para simbolizar a melhoria nas relações entre os dois países, mas o presente causou risos porque a palavra “reiniciar” foi traduzida de forma errada pela palavra russa “sobrecarregar”.

“Eu gostaria presenteá-lo com um pequeno presente que representa o que o presidente [Barack] Obama e o vice-presidente [Joe] Biden e eu temos a dizer e que é: ‘Queremos redefinir a nossa relação’ e por isso vamos fazê-lo juntos”, disse Clinton, presenteando Lavrov com uma caixa do tamanho de um palmo com um botão vermelho.

Clinton brincou com Lavrov: “Nós demos duro para chegar à palavra russa correta. Você acha que conseguimos?”.

“Vocês se enganaram”, disse Lavrov, sorrindo enquanto os dois apertavam juntos o botão, antes de um jantar em um hotel de Genebra.

Ele disse à secretária de Estado que a palavra grafada no botão, “peregruzka”, significava “sobrecarga”, ao que ela respondeu: “Não vamos deixar você fazer isso para nós.”

Em inglês, a palavra usada por Hillary para definir o que deveria estar escrito no botão foi “reset”, que tem o significado inicial de recolocar, rearranjar, redefinir, mas que é utilizada em informática com o sentido de reiniciar. Uma pesquisa simples emtradutores gratuitos na internet mostra que a palavra escolhida pelos americanos –em alfabeto cirílico– tem o significado indicado por Lavrov, e não aquele a que o Departamento de Estado chegou após o “trabalho duro” indicado por Hillary.

Depois da sessão de fotos, com Clinton e Lavrov apertando juntos o botão, porta-vozes russos explicaram que a palavra certa deveria ser “perezagruzka”, não “peregruzka”.

Hillary disse que os EUA buscam “reiniciar” –ou redefinir– a relação com a Rússia, uma expressão que foi utilizada pela primeira vez por Joe Biden em uma conferência de segurança em Munique.

Lavrov disse que iria colocar o presente na sua mesa de trabalho.

“Sem mal-entendidos”

Antes de encontrar-se com Lavrov, Hillary afirmou que a cooperação com a Rússia impulsionada pelo governo de Obama não afeta o apoio à independência e liberdade da Geórgia e de outros países do Leste da Europa. O alerta foi feito um dia depois de Hillary pedir um “novo começo” nas relações entre a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) e a Rússia.

“Não queremos nenhum mal-entendido”, advertiu Hillary em um debate com jovens na sede do Parlamento Europeu em Bruxelas. “Nosso compromisso com a Rússia não altera em nada nosso apoio a países como a Geórgia, os bálticos ou os Bálcãs para que sejam independentes, livres, tomem suas próprias decisões ou elaborem seu próprio caminho sem a indevida interferência da Rússia.”

Os dois países, que foram rivais na Guerra Fria, principalmente entre as décadas de 50 e 80 do século 20, voltaram nos últimos anos a disputar influência sobre regiões que antes estavam sob domínio ou controle da União Soviética.

A expansão da Otan para o Leste Europeu, com o projeto de instalar bases antimísseis em países que eram comunistas durante a Guerra Fria, como a Polônia, e o movimento para atrair as ex-repúblicas soviéticas Ucrânia e Geórgia para a aliança militar ocidental sofrem forte oposição da Rússia.

O país usa uma política agressiva de subsídios econômicos e sanções comerciais para manter em sua esfera de influência os países que faziam parte da União Soviética, tentando minar os progressos americanos na região. No mês passado, o Quirguistão determinou que os EUA fechassem uma base aérea que mantêm no país, dias depois que o governo da ex-república soviética recebeu US$ 2 bilhões de Moscou.

Com agências internacionais

http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u530612.shtml

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