Tradução e interpretação: Uma ponte entre diferentes culturas

Sobre o autor

Luiz Fernando Casanova Doin

é fundador e sócio-diretor da BTS – Business Translation Services, empresa de tradução sediada em São Paulo com mais de 15 anos de existência e mais de 5.000 clientes atendidos. Formado em Administração de Empresas pela Universidade de São Paulo (USP) e em Comunicação Social com ênfase em Marketing pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), é um apaixonado pela área de tradução e um estudioso do setor que procura aliar seus conhecimentos acadêmicos e experiência à prática tradutória.

Transpor a barreira de uma língua estrangeira é um esforço e tanto para quem se dispõe a ler uma obra literária no original ou a ver um filme sem legenda, mesmo com bom conhecimento do idioma. Mais complicado ainda é assistir uma palestra de um estrangeiro, dado o dinamismo característico de todas as línguas, cheias de neologismos, gírias, expressões idiomáticas e regionalismos.

Mais do que trocar umas palavras por outras, a tarefa do tradutor e do intérprete é justamente estabelecer uma ponte entre culturas diferentes, facilitando a comunicação e o entendimento dos povos. Trata-se de um trabalho árduo, que exige muita concentração, agilidade, ótima memória e profundo conhecimento do idioma escolhido. A rotina de trabalho dos dois profissionais só tem em comum o trato com idiomas estrangeiros. A prática, no entanto, é bem diferente. O tradutor vive basicamente confinado entre quatro paredes, em meio a dicionários, obras de referência, enciclopédias e gramáticas. Já o intérprete deve ter disponibilidade para viajar, pois seu trabalho é justamente acompanhar profissionais de todas as áreas em palestras e convenções, discursos e seminários, onde quer que eles se apresentem.

Emprego não falta para quem completa o curso de graduação. As ofertas estão em todas as empresas, públicas ou privadas, que cultivem relações internacionais em qualquer setor. Embora muitas vezes o bacharel tenha que competir com profissionais de outras áreas, cada vez mais o mercado vai atrás de gente especializada. “Conhecer bem uma língua é uma coisa. Outra, bem diferente, é ter sólidos conhecimentos lingüísticos para dominar técnicas de tradução que vão muito além da simples substituição de vocábulos”, explica Marlene Kurkdjian Attab, coordenadora do curso de Tradução e Interpretação do Centro Universitário Ibero-Americano, em São Paulo.

O especialista, mais do que qualquer outro, é capaz de evitar armadilhas que induzem a erros grosseiros, como a tradução literal dos chamados falsos cognatos, palavras ou expressões que se assemelham ao português mas têm significados completamente diferentes. É o caso, por exemplo, de poor sport, comumente traduzido como “esporte pobre”, quando significa “mau perdedor”.

A área de atuação abrange tradução de livros, manuais técnicos, textos científicos e jurídicos, artigos de jornais e revistas, legendas de filmes e programas de TV e documentos variados. Embora a profissão seja reconhecida, não é regulamentada. Apenas o tradutor juramentado tem sua atividade sujeita a regulamento, estabelecido pelas juntas comerciais dos Estados. Nesse caso, há uma espécie de reserva de mercado porque só o tradutor juramentado, aprovado em concurso público, pode traduzir documentos diplomáticos ou do comércio exterior, com valor legal. Ainda assim, a burocracia é um entrave para o exercício profissional. “Desde o último concurso, no ano passado, os aprovados estão esperando convocação para a posse”, queixa-se Marlene.

Quem desejar seguir a carreira deve considerar a possibilidade de especializar-se em espanhol. “Os alunos se enganam, achando que, por ter semelhanças com o português, é uma língua que não exige estudo aprofundado. A demanda por gente que saiba espanhol tende a crescer em razão do Mercosul e da emenda, em tramitação no Congresso, que deve tornar obrigatório o ensino da língua no nível Médio. Se isso acontecer, não haverá nem professores para suprir as necessidades do mercado”, diz Marlene.

Em geral, o tradutor é um profissional sem vínculos empregatícios. Atua como free-lancer e ganha R$ 14 por página de 30 linhas de 70 toques. Esse valor tem acréscimo entre 100% e 150% (até 10 páginas), quando se trata de trabalho com caráter de urgência. A versão, que é a transposição do português para outro idioma, costuma valer R$ 24 por página de 25 linhas e 50 toques. Para a tradução de legendas de filmes com roteiro original, o preço é de R$ 60 por dez minutos. Sem roteiro, o valor sobe para R$ 135, segundo tabela do Sintra (Sindicato Nacional dos Tradutores).

Os intérpretes são mais bem remunerados. Ganham R$ 520 por seis horas de trabalho e cada hora além disso custa R$ 130. Acima de 8 horas, o valor deve ser acordado entre o profissional e o contratante. O trabalho, extenuante, exige intervalos de descanso após períodos de15 minutos corridos de tradução simultânea. Em palestras científicas, o intérprete deve pedir um roteiro prévio para a preparação de um glossário com termos específicos.

Fonte: http://www2.uol.com.br/aprendiz/n_revistas/revista_profissoes/agosto00/humanas/traducao/index.htm

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