O mito do tradutor nativo

Sobre o autor

Luiz Fernando Casanova Doin

é fundador e sócio-diretor da BTS – Business Translation Services, empresa de tradução sediada em São Paulo com mais de 15 anos de existência e mais de 5.000 clientes atendidos. Formado em Administração de Empresas pela Universidade de São Paulo (USP) e em Comunicação Social com ênfase em Marketing pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), é um apaixonado pela área de tradução e um estudioso do setor que procura aliar seus conhecimentos acadêmicos e experiência à prática tradutória.

Em primeiro lugar, devo admitir que por muito tempo acreditei nesse mito. Nossa empresa inclusive alardeava o fato de só trabalhar com “tradutores nativos” como um diferencial de mercado. Eu tinha um claro pré-conceito: não alocava traduções para um idioma estrangeiro para alguém que não fosse “nativo” desse idioma. Para mim não fazia sentido, por exemplo, alocar uma tradução para o inglês para um brasileiro. Afinal de contas, qualquer tradutor nativo deve traduzir melhor para o seu idioma de origem que um tradutor “não nativo”.

Ledo engano! Com o passar do tempo, comecei a perceber que havia vários “gringos” aventureiros atuando no mercado de tradução. O perfil era mais ou menos o mesmo: um estrangeiro que decidiu vir morar no Brasil, se estabelecer em alguma das nossas belas praias e, voilà, se tornar tradutor.

Infelizmente, percebi o meu erro da pior forma possível: ao dar prioridade aos tradutores nativos, algumas vezes me baseando no seu belo sotaque (que me levava a acreditar que o tradutor deveria dominar o seu idioma de origem), recebi péssimas traduções de volta, a ponto de ter que refazê-las. Na verdade, havia tradutores estrangeiros que escreviam muito mal no seu idioma de origem e não entendiam bem o português! Resultado: dinheiro jogado fora.

Por outro lado, ao abandonar um pouco o meu pré-conceito e começar a repassar nossas traduções para tradutores brasileiros verterem para idiomas estrangeiros (principalmente o inglês), fiquei impressionado com o resultado. Começamos a fazer isso na área financeira e encontrei uma dezena de excelentes tradutores, não apenas tecnicamente, mas principalmente no que tange à redação e estilo. O mito de que o tradutor nativo é melhor que o não nativo caiu por água abaixo.

Hoje olho menos para o sobrenome e mais para o currículo do tradutor. Aquele belo sotaque americano já não me impressiona mais. Meu ceticismo com os tradutores não nativos praticamente desapareceu. Quero ver o texto traduzido…esse é o meu critério de avaliação.

P.S.: Nosso novo site em inglês foi muitíssimo bem revisado e adaptado por um tradutor brasileiro.

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