Nada de contrafilé. O prato é ”against fillet”

Sobre o autor

BTS: Luiz Fernando Casanova Doin

Luiz Fernando Casanova Doin

é fundador e sócio-diretor da BTS – Business Translation Services, empresa de tradução sediada em São Paulo com mais de 15 anos de existência e mais de 5.000 clientes atendidos. Formado em Administração de Empresas pela Universidade de São Paulo (USP) e em Comunicação Social com ênfase em Marketing pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), é um apaixonado pela área de tradução e um estudioso do setor que procura aliar seus conhecimentos acadêmicos e experiência à prática tradutória.

Já de olho na Copa 2014, bares cariocas apelam a tradutores da internet. O resultado são cardápios com nomes de pratos para lá de divertidos

Já de olho nos turistas da Copa 2014 e a Olimpíada de 2016, botequins e restaurantes da zona sul carioca resolveram adotar cardápios bilíngues português/ inglês. Como alguns apelaram a tradutores eletrônicos da internet, os cardápios ficaram pra lá de divertidos. No bar Inhangá, em Copacabana, por exemplo, o contrafilé virou “against fillet”, algo como “contrário ao filé”. E o tradicional filé à Oswaldo Aranha virou “steak to Oswald Spider”.

“Não faz nenhum sentido, mas já estou acostumado. Já vim quatro vezes ao Rio e aprendi palavras em português decifrando cardápios”, conta o bem-humorado dinamarquês Karl Wood, de 44 anos, no Inhangá.Wood se divertiu com as sugestões de “trim to the french”, algo como “elegante para o francês”, que, por algum motivo, foi a tradução escolhida pelo bar para “guarnição à francesa”. Ele tentava decifrar porque o arroz à grega virou o impagável “greek rice and there” – literalmente “arroz grego e lá”. “Não lembro quem fez a tradução, mas depois do cardápio em inglês ficou mais fácil atender os turistas. Eles aprovaram a novidade”, garantiu o gerente do bar Rogério Fernandes, de 26 anos.

O mesmo acontece no Bar Pierrot, também em Copacabana. Lá, bife à cavalo é apresentado como “beff (e não beef) steak to the horse”, algo como “bife para o cavalo”. Carne de sol virou, literalmente, “sun meat”.

As grandes redes de restaurantes e as casas mais sofisticadas preferem contratar tradutores profissionais, mas tampouco escapam dos escorregões. “Já vi erros graves até em hotéis e restaurantes de luxo em todo o Brasil. Uma dica é sempre evitar as traduções literais para comidas típicas, como escondidinho e a própria carne de sol. Nunca dá certo”, diz a professora Katie Anderson, de 23 anos, que ensina inglês há 4 no Rio.

O professor Brian Begnoche, de 26, também conta já ter visto várias traduções semelhantes aqui, mas lembra que isso acontece no mundo todo. “Pode ser engraçado, mas é admirável que essas pessoas estejam tentando ganhar dinheiro honestamente e tornar a vida do turista mais fácil”, diz o americano, que aprende português e leciona inglês no Rio há mais de dois anos.

ALGUMAS “PÉROLAS”

Churrasco: “barbecue joint”
Aves: “birds”
Carne seca à mineira: “meat to drought mineira”
Medalhão à moda da casa: “medallion to fashion house”
Estrogonofe de frango: “chicken stroganoff”

Fonte: http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20101212/not_imp652684,0.php

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