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Da tradução como dever do Estado, etc.

Sobre o autor

BTS: Luiz Fernando Casanova Doin

Luiz Fernando Casanova Doin

é fundador e sócio-diretor da BTS – Business Translation Services, empresa de tradução sediada em São Paulo com mais de 15 anos de existência e mais de 5.000 clientes atendidos. Formado em Administração de Empresas pela Universidade de São Paulo (USP) e em Comunicação Social com ênfase em Marketing pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), é um apaixonado pela área de tradução e um estudioso do setor que procura aliar seus conhecimentos acadêmicos e experiência à prática tradutória.

Sem querer ser chato, acho que vale a pena levantar a questão do acesso. Para quem teve a oportunidade de aprender várias línguas, e tem acesso a boas edições, de grandes tradutores, vale reclamar de nuances nos textos traduzidos. Mas quando se trata de leitura, sou daqueles que costumam dizer sempre: “É melhor do que nada”. Cheguei a estudar Filosofia um ano, e lembro que muitas pessoas falavam mal da coleção “Os pensadores”. De fato, ela não traz as melhores traduções, mas não creio que atrapalhem estudantes do primeiro período. Concordo que é muito melhor ler Kant em alemão, mas devo esperar aprender a língua para fazê-lo?

Comentário de Pedro — 31/10/2006 @ 1:58 pm

Pedro, traduções, boas ou más, são fundamentais. Querer que uma obra só faça sentido no original é defensável para a poesia, mas para qualquer prosa, de filosofia a literatura, denuncia um elitismo alarmante. Além de um separatismo cultural no grau mais insano: “Jamais saberás o que disse Dostoiévski, até aprenderes russo”, a sentença pairaria sobre todas as cabeças não-russas da humanidade do primeiro ao último dia de suas vidas. É nesse mundo que vivem os inimigos da tradução.

A tradução é uma necessidade humana básica, e um dos mais sensíveis termômetros da inteligência coletiva de um país. Quando é inepta pode ser, sim, desastrosa para uma obra. Provavelmente mais para a ficção do que para a filosofia (concordo sobre os Pensadores). Não se trata de “nuance”, como você diz, não é capricho. Falta legibilidade, ritmo, a bênção de não tropeçar a cada vírgula, conhecimento literário da língua, enfim. Tudo o que afinal faz o sujeito ler literatura. Temos excelentes tradutores, os que você citou e outros, mas nosso volume de tradução abaixo do medíocre é consistente. Com o que pagam, não se estranha, até pelo contrário: entende-se muito bem. As editoras dizem que não dá para pagar mais, que pagar mais comprometeria o negócio. Quando aumentam, é pouco.

Está errado. O bom tradutor precisa ser recompensado com opulência. A tradução é tão importante que deveria ser subsidiada. Isso aí. As quatro necessidades sociais básicas que cabe ao Estado prover: educação, saúde, segurança e tradução.

Fonte: http://veja.abril.com.br/blog/todoprosa/posts/da-traduo-como-dever-do-estado-etc/

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