A profissão de tradutorA profissão de tradutor no Brasil não é regulamentada; ou seja, não é necessário ser formado em tradução (ou letras) para exercê-la. Em última análise, qualquer um pode se intitular tradutor e oferecer seus serviços ao mercado. E isso realmente ocorre…Não raro recebo e-mails de estudantes de intercâmbio que passaram um ano nos Estados Unidos estudando inglês e, agora que dominam o idioma, querem ser tradutores.

Pessoalmente não vejo problema no fato de a nossa profissão não ser regulamentada. Aliás, considero uma bobagem exigir um diploma de tradução para exercê-la. Até porque duvido que um curso superior de tradução consiga preparar minimamente os estudantes para as agruras da profissão de tradutor. É preciso muito mais que um diploma para estar qualificado. No artigo “O que é necessário para ser um bom tradutor”, publicado neste blog, listei 10 pontos que considero fundamentais e em nenhum deles menciono a formação em tradução ou letras.

Não quero desestimular quem deseja estudar tradução; muito pelo contrário, incentivo e apóio os estudantes de tradução e interpretação a seguir em frente. Só gostaria de deixar bem claro que a sala de aula representa apenas um ponto de partida para se “aprender” o ofício. Há muitos pré-requisitos que vão além da formação superior em tradução. Por exemplo, o idioma de origem e de destino (bem como o seu domínio) e a capacidade de redigir bem certamente não serão ensinados na universidade, embora possam ser aprimorados em sala de aula.

Na nossa empresa, são poucos os tradutores formados em tradução ou letras. Imagino que esse microcosmo represente o universo de tradutores no Brasil. Praticamente todos têm curso superior, mas em áreas distintas. E normalmente traduzem na sua área de especialização: é o caso do advogado que realiza traduções na área jurídica, do engenheiro especializado em traduções técnicas e do ex-auditor que hoje vive da tradução de demonstrações financeiras.

Em resumo, nem tanto ao céu, nem tanto ao mar: a falta de regulamentação da profissão de tradutor não representa um problema. O problema mesmo é as pessoas se “acharem” tradutoras sem ter a mínima noção do que isto significa (e, ainda pior, sem possuir as habilidades e capacitações mínimas necessárias).



Luiz Fernando Casanova Doin
Autor: Luiz Fernando Casanova Doin
é fundador e sócio-diretor da BTS – Business Translation Services, empresa de tradução sediada em São Paulo com mais de 15 anos de existência e mais de 5.000 clientes atendidos. Formado em Administração de Empresas pela Universidade de São Paulo (USP) e em Comunicação Social com ênfase em Marketing pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), é um apaixonado pela área de tradução e um estudioso do setor que procura aliar seus conhecimentos acadêmicos e experiência à prática tradutória.

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