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André Conti, colunista de Tec, comenta traduções esquisitas

Sobre o autor

BTS: Luiz Fernando Casanova Doin

Luiz Fernando Casanova Doin

é fundador e sócio-diretor da BTS – Business Translation Services, empresa de tradução sediada em São Paulo com mais de 15 anos de existência e mais de 5.000 clientes atendidos. Formado em Administração de Empresas pela Universidade de São Paulo (USP) e em Comunicação Social com ênfase em Marketing pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), é um apaixonado pela área de tradução e um estudioso do setor que procura aliar seus conhecimentos acadêmicos e experiência à prática tradutória.

No início da década passada, trabalhei numa agência que cuidava de sites de grandes empresas de tecnologia.

Eu e um colega alimentávamos o sistema: recebíamos textos traduzidos sobre periféricos, atualizações de sistema e novos computadores e íamos montando as páginas brasileiras.

Não líamos os textos -ninguém havia pedido-, mas um dia ele levantou a cabeça por sobre o monitor e, com um olhar atrapalhado, perguntou:” Bicho, o que diabos é um motorista de impressora?”.

Tratava-se de uma metáfora visual poderosa: o driver que faria a impressora funcionar era representado pelo tradutor como um automóvel, levando as informações de lá para cá.

Resolvemos ler todos os textos a partir daquele dia, antes que fosse preciso um brejo para guardar nossa memória RAM.

Hoje, com a força das redes sociais no Brasil, é natural que as grandes empresas traduzam suas ferramentas para o público nacional. Foi assim com o Orkut, com o Facebook e, agora, com o Twitter. Para quem se acostuma com a versão original, é um equivalente aos cardápios de restaurantes cariocas traduzidos para o inglês. E dá-lhe “horse’s beef” (bife a cavalo), “Oswald Spider steak” (filé à Oswaldo Aranha) e o meu preferido, “lentils just in weekends” (lentilha só aos fins de semana).

A tradução do Twitter para o português do Brasil é benfeita. A decisão mais arrojada foi oficializar o verbo “tweetar”, com essa grafia mista. Eu teria ficado com o aportuguesamento completo: eu tuíto, tu tuítas.

Mas, como sempre há o Risco Policarpo Quaresma -no caso, traduzir “Twitter©” para”Piador©” e o verbo”to tweet” para “piar”-, a combinação de “tweet” com “tuitar” que venceu não é de todo má.

Mas gostaria de ter estado na reunião na qual se decidiu pelo termo “Tópicos da Tendência”, como tradução de “Trending Topics”.

Alguém há de ter levantado a mão, perguntado senão era melhor jogar simples, “assuntos em alta” ou alguma coisa do tipo. Qualquer coisa, na verdade, que não acabasse formando a frase “tópicos da tendência mundial”.

Algumas adaptações culturais se fazem necessárias, claro. O Twitter tem a opção de indicar o local de onde a mensagem foi postada, via GPS. Em inglês, as instruções dizem: “Você já quis compartilhar alguma coisa(‘fogos de artifício!’, ‘festa!’, ‘caminhão de sorvete!’ ou ‘areia movediça…’) que seria melhor com uma localização?”.

Os brasileiros naturalmente não sabem o que é um”caminhão de sorvete”, e a menção a um deles nos deixaria confusos e perdidos.

Por nossa sorte, uma boa alma adaptou o termo para “o carro da pamonha!”. Já me sinto em casa.

Fonte: http://www.jornalfloripa.com.br/tecnologia/index1.php?pg=verjornalfloripa&id=1201

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