A involução dos preços de tradução e a utópica tabela do SINTRA

Sobre o autor

BTS: Luiz Fernando Casanova Doin

Luiz Fernando Casanova Doin

é fundador e sócio-diretor da BTS – Business Translation Services, empresa de tradução sediada em São Paulo com mais de 15 anos de existência e mais de 5.000 clientes atendidos. Formado em Administração de Empresas pela Universidade de São Paulo (USP) e em Comunicação Social com ênfase em Marketing pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), é um apaixonado pela área de tradução e um estudioso do setor que procura aliar seus conhecimentos acadêmicos e experiência à prática tradutória.

A involução dos preços de tradução e a utópica tabela do SINTRAVira e mexe os tradutores perguntam: “como (e quanto) devo cobrar?” E são sistematicamente orientados a seguir a tabela do SINTRA (Sindicato Nacional dos Tradutores). Nas listas de tradutores, nos blogs de tradução, enfim, de maneira geral, a orientação é: sigam a Tabela do SINTRA!

Sinto informar que essa tabela é utópica e tenho certeza que somente aqueles (pouquíssimos) tradutores que ocupam o topo da cadeia alimentar da tradução conseguem praticá-la. A realidade é muito mais dura do que os preços sugeridos nessa tabela.

Vou pegar algumas sugestões de preço da tabela do SINTRA para colocar as coisas em perspectiva: Tradução – R$ 0,24/palavra (de um idioma estrangeiro para o português). Considerando que a lauda da JUCESP (Junta Comercial do Estado de São Paulo) tem 1000 caracteres de texto sem espaços, ou cerca de 180 palavras, teríamos: 180 palavras x R$ 0,24 = R$ 43,20/lauda. Para versões, a tabela vai além: R$ 0,32/palavra (do português para um idioma estrangeiro) ou aproximadamente R$ 57,60/lauda! Isso sem contar eventuais taxas de urgência.

Gostaria muito de praticar esses preços, mas eles estão cada vez mais inviáveis no mercado brasileiro atual (sugiro que vocês também leiam o meu artigo “O famigerado menor preço global”). Há uma clara tendência de “involução” dos preços de tradução. A concorrência vem se intensificando, as empresas buscam preço e qualidade (e algumas vezes apenas preço!), colocando o departamento de compras como seu interlocutor. A “comoditização” das traduções é um fenômeno que ganha força. Tudo isso vai de encontro aos preços sugeridos pelo SINTRA.

Certamente devemos nos valorizar e procurar cobrar preços compatíveis com nossa experiência e especialização. No entanto, não acredito em fórmulas mágicas e nem em tabelas de referência. Antes de mais nada, deve prevalecer o bom senso. Uma tradução técnica é teoricamente mais complexa do que a tradução de uma simples correspondência e, portanto, deveria ser mais cara que a segunda. O SINTRA aparentemente não diferencia uma tradução da outra (a não ser a literária) e propõe valores fixos por palavra. Outro furo grave: não está claro se os preços por palavra se referem ao texto de origem (source) ou de destino (target).

Resumo da história: é muito difícil cobrar os preços sugeridos pelo SINTRA. Certamente há nichos onde esses preços são possíveis (e praticados), mas de maneira geral o mercado trabalha com valores bem inferiores a esses.

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