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Publicado por Luiz Fernando Casanova Doin, em 08/11/2012, na(s) categoria(s): Notícias.

Tradutora critica edição final do livro

Motivo são imprecisões nas citações; editora afirma que adotou versões consagradas

A tradutora do livro de James Wood, Denise Bottmann, enviou carta aos jornais em que “declina da responsabilidade” da tradução ora publicada pela editora Cosac Naify. Bottmann alega que a edição final adota traduções já existentes dos trechos de obras citados por Wood que não fazem justiça às características de estilo que o crítico aponta. O diretor editorial da Cosac, Cassiano Elek Machado, declarou ao Estado que a tradutora deu ok para a versão final. Ele argumenta que os trechos são extraídos de edições traduzidas por nomes consagrados do ofício, como Paulo Henriques Britto e José Paulo Paes.

Bottmann diz que traduziu todas as citações para evitar que os exemplos não demonstrassem o argumento de Wood. Um caso que cita é do romance Pelos Olhos de Maisie, de Henry James. Para mostrar como funciona o estilo livre indireto, em que o narrador assume a fala ou o pensamento do personagem (sem aspas), Wood cita uma passagem em que James usa “Mama” para denotar a voz infantil de Maisie. Na tradução citada, “Mama” virou o formal “sua mãe”. A editora alega que o foco mais importante é em outro trecho da frase.

Em outras citações, Bottmann discorda da tradução existente por suprimir justamente as palavras que Wood destaca, como numa de Christopher Isherwood, que no original faz referência ao “céu” do jogo de amarelinha, mas na tradução aparece apenas o nome da brincadeira em português. Também diz que “uma camponesa”, no original, vira apenas “uma mulher”, na tradução. E em A Casa do Sr. Biswas, de V.S. Naipaul, a expressão “But Rome get build”, que marca diferenças culturais entre os personagens (o uso de “get” em vez de “got” indica um erro do personagem nascido em Trinidad, menos instruído), foi traduzida apenas para “Mas um dia teve que se fazer”. O trecho transcrito é maior do que isso e a fala anterior usa a expressão “Roma não se fez em um dia”, mas o equívoco gramatical não foi mantido na versão brasileira. Para a editora, não havia como recriar tal dialeto.

“Não estou dizendo que não haja soluções mais felizes em alguns casos”, diz Machado, “mas são questões pontuais. Ela sempre foi a primeira a defender o uso de traduções estabelecidas.” Machado afirma também que a editora decidiu não transcrever os trechos no original em inglês com as respectivas traduções no rodapé porque “o livro é cheio de citações e ficaria coalhado de frases em inglês”, lembrando que muitos autores citados por Wood não escreveram originalmente em inglês, como Flaubert, Dostoievski e José Saramago.

Bottmann acha que o procedimento de usar traduções existentes é “uma norma da casa”, mas diz que “nenhuma precisão é excessiva”. Nega que tenha dado o ok final e conta que viveu um “drama pessoal” durante três meses até “chegar a esse ponto” (de ir à imprensa). “Ninguém quer um tradutor encrenqueiro”, lamenta. “Mas fiquei com pena, porque é uma obra maravilhosa.”

Fonte: http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20110312/not_imp690822,0.php

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