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Publicado por Luiz Fernando Casanova Doin, em 08/11/2012, na(s) categoria(s): Notícias.

Bento XVI – Perdido na tradução

Uma frase em alemão do papa sobre o uso da camisinha reabre o debate sobre a Igreja e o sexo

O papa autorizou o uso da camisinha? Causou repercussão no mundo inteiro o anúncio que BENTO XVI, em um livro de entrevistas, considerara “justificável”, em algumas situações, o uso desse método de contracepção artificial. Seria a primeira vez que um papa aceitava, ainda que com ressalvas, algo assim. Em 1968, na encíclica Humanae vitae (Da vida humana), o papa Paulo VI declarou que a Igreja era contrária ao aborto e a qualquer método artificial para evitar a gravidez. O Vaticano, porém, apressou-se a afirmar que não foi bem isso o que Bento XVI quis dizer.

Traduzida do alemão, a frase completa do papa no livro Luz do mundo é aproximadamente a seguinte: “Pode haver casos individuais em que é justificável, como talvez quando um prostituto usa camisinha, em que isso pode ser um primeiro passo rumo à moralização, uma primeira aceitação de responsabilidade no caminho à recuperação da compreensão de que nem tudo é permitido”. Segundo o porta-voz de Bento XVI, reverendo Federico Lombardi, o que o papa quis dizer foi: usar o preservativo para não infectar o parceiro mostra uma boa intenção – o que não quer dizer que a camisinha seja aceitável. A dúvida permaneceu. O papa teria insinuado, então, que pelo menos para prevenir a aids o uso da camisinha é “moralmente justificável”?

Bento XVI foi criticado por religiosos conservadores e progressistas – pelo excesso de ousadia, no caso dos primeiros, e pela falta dela, no dos segundos. Também foi elogiado por conservadores e progressistas – por manter a postura da Igreja em relação à camisinha, segundo aqueles; por ter mostrado flexibilidade e abertura aos novos tempos, na visão destes. Um verdadeiro milagre de retórica.

Outra dúvida surgiu na tradução do alemão para outros idiomas. Bento XVI, que é alemão, usou o termo “ein Prostituierter”, que significa “um prostituto”. Na tradução italiana do L’Osservatore Romano, o jornal oficial do Vaticano, saiu “una prostituta”. Isso gerou ainda mais interpretações – o papa estaria se referindo apenas aos homossexuais? Ou estava apenas dando um exemplo?

O debate sobre o significado das palavras papais promete levar tempo. A declaração do papa serviu para reavivar a discussão sobre a doutrina católica com relação à camisinha: usá-la para proteger-se ou proteger alguém da aids deixa de ser pecado? Até a quinta-feira passada, Bento XVI não se pronunciara sobre a polêmica.

Para o vaticanista Giacomo Galeazzi, do jornal La Stampa, a declaração do papa é importante porque, em 2009, durante uma visita à África, Bento XVI disse que a camisinha não resolveria – e até agravaria – o problema da aids. “Pela primeira vez o papa admitiu a possibilidade do uso da camisinha. É uma evolução”, afirma Galeazzi. “Muitas vezes outros membros do Vaticano falaram sobre o assunto, mas nunca o papa.”

Autoridades no combate à aids concordam. A Organização Mundial da Saúde (OMS) saudou o posicionamento de Bento XVI. “A declaração do papa está alinhada com as evidências de que a camisinha é altamente eficiente na prevenção da infecção pelo vírus HIV”, disse Shin Young-soo, diretor da OMS nas Filipinas.

O padre jesuíta Joseph Fessio, doutorando de Joseph Ratzinger na década de 70 e editor da Ignatius, editora que lançou Luz do mundo em inglês, nega que as declarações de Bento XVI contenham qualquer novidade ou mudança. “Ele só está mais velho e mais sábio”, diz. “Não me surpreendi com o que ele disse sobre a camisinha. Muitas pessoas estão dizendo coisas estúpidas.” Padre Fessio publicou dois artigos na tentativa de esclarecer a posição do papa (leia um deles aqui). Ele culpa outro detalhe da tradução italiana pela confusão: no original, o papa diz que o uso da camisinha é “begründete”, em alemão. O termo vem de “grund” (solo), que, diz o padre, seria mais bem traduzido como “alguma base” para usar o preservativo. Mas “giustificato”, a tradução italiana, é a mais corrente para “begründete”.

O padre também destaca trechos que não tiveram tanto destaque na mídia, mas dão mais detalhes da opinião do papa: “Ela (a Igreja) não considera a camisinha como uma solução real ou moral, mas, neste ou naquele caso, pode no entanto haver na intenção de reduzir o risco de infecção um primeiro passo em direção a uma forma diferente, uma forma mais humana de viver a sexualidade”. Fessio explica a lógica de Joseph Ratzinger com uma analogia: “Digamos que um assaltante use um cano de aço para agredir as pessoas e as fira seriamente. Digamos agora que alguns assaltantes cubram o cano com espuma, para machucar menos, mas continuem a ferir seriamente as vítimas. O papa diz que a intenção de reduzir o ferimento (no ato da assaltar) poderia ser um primeiro passo rumo a uma responsabilidade moral maior. Isso, porém, não justificaria manchetes como ‘Papa aprova canos de aço protegidos para assaltantes’ ou ‘Papa diz que uso de canos de aço é justificável em alguns casos’”.

Como ex-aluno do hoje Bento XVI, é possível que Fessio esteja bem situado para discutir a argumentação papal. Mas os defensores da camisinha têm razão num ponto: é uma pequena abertura ao diálogo sobre a prevenção da aids.

Fonte: http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI190416-15215,00-BENTO+XVI+PERDIDO+NA+TRADUCAO.html

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