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Publicado por Luiz Fernando Casanova Doin, em 08/11/2012, na(s) categoria(s): Notícias.

Acusada de plágio, editora processa tradutora e tenta tirar blog do ar

Quando iniciou seu blog Não Gosto de Plágio em dezembro de 2007, a tradutora Denise Bottman, 55, não imaginava que, poucos anos depois, estaria no meio de um debate que envolve liberdade de expressão e internet.

Foi no final da tarde da última sexta-feira (19), no entanto, que Bottman entrou na discussão: a Editora Landmark e seu sócio-proprietário, Fábio Cyrino, abriram um processo pedindo a supressão imediata do blog, além de uma indenização de 400 salários mínimos por calúnia e difamação.

Bottman apontou suposto plágio de tradução em duas obras literárias da Editora Landmark, ambas lançadas em 2007: “Persuasão”, de Jane Austen (que teria sido plagiado de uma tradução lançada em 1996 pela editora portuguesa Europa América, feita por Isabel Sequeira), e “O Morro dos Ventos Uivantes”, de Emily Brontë –cuja tradução original teria sido publicada em 1971 pela já extinta editora Brugueira, sob autoria de Vera Pedroso.

Ela afirma ainda que tem como comprovar todas as alegações.

Liberdade de expressão

O pedido de retirada do blog do ar foi indeferido pelo Justiça, contudo. “As razões do juiz foram que se trata de uma questão complexa porque envolve o direito de expressão e crítica, e que não era possível avaliar a verossimilhança das alegações”, disse Bottman.

“É minha área de estudo. Jamais evoquei a liberdade de expressão porque vivo em um Estado de Direito, nossa Constituição garante isso”, observa.

Procurado pela reportagem, o advogado da Editora Landmark, Alberto J. Marchi Macedo, respondeu à questão por meio de um comunicado, no qual informa que “a Editora Landmark propôs a ação competente em face da blogueira Denise Bottmann por entender que as denúncias por ela apresentada encontram-se totalmente desgarradas da realidade fática e das provas que serão produzidas no processo judicial, razão pela qual não existe qualquer cabimento quanto à acusação de plágio”.

A nota aponta ainda que, “em nenhum momento, a editora está pretendendo cercear o direito de liberdade de expressão, mas tão somente está solicitando a prestação jurisdicional para colocar fim as acusações infundadas que a prejudicam no mercado editorial”.

http://www1.folha.uol.com.br/folha/informatica/ult124u699025.shtml

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