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Publicado por Luiz Fernando Casanova Doin, em 06/03/2011, na(s) categoria(s): Blog de tradução, Erros de tradução.

Quem nunca errou que atire a primeira pedra.

Quem nunca errou que atire a primeira pedraNós, tradutores, temos um traço peculiar: adoramos apontar e disseminar os erros de tradução de colegas. Digo nós porque também estou nessa lista. Aliás, as duas primeiras newsletters da nossa empresa versam sobre esse tema: erros de tradução, muitos deles hilários. Os clientes simplesmente adoraram, achando o assunto muito divertido.

Mas esse sadismo da nossa categoria parece algo contraproducente. Nesse momento somos pedras, mas daqui a pouco podemos nos tornar vidraças. Afinal de contas, quem nunca errou? E quem não erra? Especialmente em uma profissão como a nossa, onde estamos à mercê de prazos cada vez mais apertados e enfrentamos uma enorme pressão dos clientes para produzir cada vez mais em menos tempo.

Lembro-me bem da primeira vez que tive uma das minhas traduções criticadas. É duro. Dói…especialmente quando o cliente tem razão. E, embora tenhamos diversos sistemas de controle de qualidade, isso pode acontecer, assim como um médico pode errar e matar ou mutilar um paciente, ou um engenheiro pode falhar e causar a queda de uma ponte. Somos, em suma, falíveis.

Talvez o nosso alento é que, ao contrário dos médicos, os erros que cometemos não matam ninguém (mas podem causar um enorme prejuízo financeiro). Por outro lado, não vejo nenhum médico se regozijando de erros cometidos por colegas. Pelo contrário, a categoria se defende, solidarizando-se.

Certamente existem maus profissionais em todas as áreas, seja na medicina, engenharia, ou na nossa. E com certeza essas pessoas são responsáveis por muitos dos erros e bizarrices que vemos por aí. Talvez a diferença seja que gostamos de “divulgar” o trabalho ruim desses maus profissionais em detrimento da nossa própria categoria.

Em vez de aplaudirmos e elogiarmos os ótimos tradutores e suas traduções primorosas, preferimos meter o pau e propagar o trabalho de tradutores medíocres. Parece até algo inconsciente, mas adoramos criticar o trabalho dos outros (basta dar uma olhada nos assuntos das listas de tradutores).

A mensagem que gostaria de deixar é clara: por que não nos comportamos como as demais categorias profissionais e passamos simplesmente a ignorar os maus profissionais e seus erros hilários e valorizar os bons profissionais e seu trabalho impecável? A profissão agradece…

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